Depois de um longo tempo sem escrever, tentarei justificar um pouquinho essa minha ausência. Tantas coisas aconteceram mas não tive vontade de compartilhar nada até agora…
Depois de tanto tempo dedicado à internet, seja no trabalho ou por diversão, os códigos e as normas da rede me cansaram um pouco. Mas o que mais pesou foi a sensação de estagnação que estava sentindo. Estava trabalhando em uma empresa onde eu não possuía liberdade de decisões embora não recebesse ordens de ninguém. Também era cobrado indireta e constantemente para entregar um material de qualidade que sempre era desconfigurado e desmanchado de sua essência. Se você está confuso lendo estas palavras imagine como me sentia enquanto trabalhava naquela empresa.
Então resolvi continuar trabalhando e imaginei que conseguiria procurar outro emprego. Não conseguia. A minha desmotivação era tão grande que comecei a me conformar com ela. Mas sempre tentei ser o mais profissional possível e acho que nunca deixei que a qualidade de meu trabalho caísse.
Até que um convite inesperado surgiu: uma vaga de diretor de arte estava aberta em uma das maiores agências de publicidade da região. É onde trabalho agora e minha sensação de estagnação foi embora. Estou me sentindo “desafiado” novamente… de um jeito saudável, é claro!
Quando eu era adolescente sempre admirei meus colegas de faculdades que conseguiam conciliar seus estudos e o pouco tempo que tinham por causa do emprego. Eu que tinha muito tempo de sobra sempre acabava correndo contra o tempo para fazer os trabalhos da faculdade. Hoje estudo e trabalho assim como meus antigos colegas. E entendi que eles se tornaram mestres no malabarismo da divisão do tempo que sobra na correria diária e que acaba ceifando boas horas de sono e de descanso.
Os professores da faculdade têm exigido uma série de trabalhos, é óbvio! E, apesar da correria, até que estou gostando bastante deles. Eles acabarão integrando com destaque meu portfolio! Confira alguns abaixo:
No fim do ano passado, afirmei que nunca tinha lido tanto em tão pouco tempo e que achei que a tendência continuaria. Não desse jeito que aconteceu mas fico feliz em dizer que ando lendo demais! Em poucos meses, li mais livros do que li nos últimos anos! “O Clube dos Anjos”, “Persépolis”, “Nunca subestime uma mulherzinha” e “O Insaciável Homem-Aranha”. O “Curso de Japonês em Quadrinhos” figura aqui por outro motivo.
“O Clube dos Anjos” (de Luis Fernando Veríssimo, Editora Objetiva, 132 páginas) pertence a série Plenos Pecados, que também tem “A Casa dos Budas Ditosos” em sua coleção, e fala da Gula. Ele traz a história de um grupo de dez bon-vivants que fizeram um pacto na adolescência de se encontrarem uma vez por mês para degustarem um jantar especial e sofisticado. Tudo para “celebrarem a vida” da melhor maneira. Esses jantares sempre eram regados por alguma discórdia, amenizada pela degustação dos pratos e enfastiamento do grupo. Até que um dia, um deles, Daniel, o narrador da história, conhece um cozinheiro fantástico que promete surpreender a todos com seus pratos perfeitos.
Mas logo no primeiro jantar preparado por este novo cozinheiro, um integrante morre após saborear seu prato predileto. E assim, um a um, os integrantes do grupo vão morrendo após degustarem seus pratos preferidos. E o pior é que, a certa altura da narrativa, mesmo sabendo que vão morrer, comem o que gostam. E isso é somente parte dessa história em que o prazer da gula é o sentido da vida dos personagens.
“Persépolis” (de Marjane Satrapi, Companhia das Letras, 352 páginas) conta a história da própria autora que viveu a transição de governos no Irã durante sua infância e foi obrigada a seguir as rígidas regras xiitas. Filha de uma família moderna e politizada, onde a conversa e o diálogo sempre foram cultivados e estimulados, a imposição das leis do novo governo mexeu com a rotina de Marjane e moldou seu pensamento. Na escola, ousou questionar algumas das novas normas e foi severamente punida. Na rua, não podia se vestir do jeito que gostava. Pra comprar as novidades ocidentais, discos de música por exemplo, era preciso desafiar a lei e escutar em lugares onde o som não poderia ser ouvido por ninguém de fora.
Até as festas de confraternização e comemoração poderiam resultar em prisão. Marjane viveu o final de sua infância e boa parte da adolescência presenciando situações horríveis até que foi para a Alemanha Áustria, em um exílio voluntário, proposto por seus pais. Persépolis é um livro riquíssimo em detalhes, narrado como uma história em quadrinhos, com situações impressionantes e emocionantes. Para ler e não parar!
“O Insaciável Homem-Aranha” (de Pedro Juan Gutiérrez, Companhia das Letras, 208 páginas) conta a história de um artista frustrado que mora em Havana, Cuba, e leva um vida sem perspectivas. Ele convive com um extremo desejo de luxúria abafado pelo seu entorno pobre e sem graça e sua idade considerada “avançada demais”. O livro é tão denso, tão depressivo, que ainda não acabei de ler… Indicado pra quem quer encontrar alguém com alguma neura maior que a sua própria…
“Nunca subestime uma mulherzinha” (de Fernanda Takai, Editora Panda Books, 136 páginas) é a compilação de algumas crônicas e contos publicados nos jornais O Estado de Minas e Correio Braziliense. A cantora do Pato Fu escreve com sua visão prática e bem-humorada histórias que poderiam fazer parte da vida de qualquer um. O livro é dividido em capítulos chamados “Coisas que aconteceram” ou “Coisas que podem ter acontecido” por exemplo. Bem legal e indispensável aos fâs da banda!
No final de 2006, a Editora Conrad lançou no Brasil o curso de “Japonês em Quadrinhos” e eu tentei, juro que tentei, aprender esta língua tão difícil com o livro. Apesar de muito didático, ilustrado e direto, o livro possui um grande obstáculo a qualquer um que se atreva a seguí-lo: logo nos primeiro capítulos, o autor Marc Barnabé te “abandona” na introdução dos kanjis, aqueles símbolos orientais que apresentam uma idéia completa. Mas fora este “detalhe”, o livro é muito bom pra quem tem acesso à livros e textos japoneses menos elaborados. Tanto que a Conrad lançou a segunda parte deste curso: Japonês em Quadrinhos 2 - Curso Pré-Intermediário. Quem sabe um dia eu retomo este curso… (-_-) Agora, assim que tiver tempo, vou atrás deste livro aqui, “achado” neste blog aqui!
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