1470224762_ee51a579f1_m.jpgAh, a internet. Essa rede que abriga tanta informação e torna acessível a qualquer os mais misteriosos conceitos acadêmicos. Esse universo mágico que aparece dentro da tela do monitor… E mesmo depois de tanto tempo disponível a todos que possuem acesso a ela, ainda existem empresas que tentam lucrar com ela da maneira mais porca: vendendo cursos “profissionalizantes” para leigos. Eu já escrevi sobre isso antes e estou voltando ao assunto de novo. Enquanto existirem empresas vendendo este tipo de curso de webdesign, sem qualquer preocupação de ensinar o mínimo de noções de arte e design, a falta de respeito pela profissão permanecerá. Diz lá no Wikipédia sobre o que é webdesign:

O web design é uma extensão da prática do design, onde o foco do projeto é a criação de web sites e documentos disponíveis no ambiente da web.

O web design tende à multidisciplinaridade, uma vez que a construção de páginas web requer subsídios de diversas áreas técnicas, além do design propriamente dito. Áreas como a arquitetura da informação, programação, usabilidade, acessibilidade entre outros.

A preocupação fundamental do web designer é agregar os conceitos de usabilidade com o planejamento da interface, garantindo que o usuário final atinja seus objetivos de forma agradável e intuitiva.

Muitos destes cursos deficitários em design são focados no ensino do domínio de determinados softwares e quase nada da vivência real do profissional. Assim dá até pra entender que não exista ainda regulamentação oficial da profissão de webdesigner no Brasil. Muitas outras carreiras relacionadas à internet também estão na mesma situação “clandestina” perante às leis brasileiras. A empresa onde trabalho registra todos seus profissionais, programadores e webdesigners, como assistentes de manutenção de informática.

Não existe diferença entre o que eu faço e meu colega técnico em informática, um criando sites e outro consertando computadores e montando redes. Não quero dizer que uma atividade possui menor importância que a outra. São ramos de atividade totalmente diferentes ainda vistas de um mesmo modo pelo governo…

Foto: http://www.flickr.com/photos/rbos/1470224762/, do Ruben Bos

O Pato Fu gravou no CD “Toda cura para todo mal” uma música com o título “Estudar pra quê?” que fala que quem tem computador tem acesso a tanta informação, a toda hora, de tantos lugares, que ele não precisa de mais nada, que fica bom em quase tudo e nem precisa de estudo. Será?

Hoje de manhã, li no serviço em uma revista de 2006 um artigo que dizia que o autodidatismo é válido mas nada melhor do que uma boa formação acadêmica para criar uma carreira sólida. O autor também falava que cansou de ver gente boa mesmo sendo cortado sumariamente de processos seletivos por falta desta ou daquela qualificação. E exemplificou ainda alguns tipos profissionais que são identificados pelas empresas como inaptos, após análise curricular.

Não preciso dizer que entrei em parafuso. Não tenho formação acadêmica, já fui eliminado de uma boa vaga em uma grande empresa por causa disso, e quero estudar. Mas não posso agora bancar um curso de formação superior e só por um milagre passaria na Fuvest... Fiquei pensando no meu currículo. Acredito que meu portfolio possui bons trabalhos mas a falta de um diploma me preocupa muito. Já me peguei várias vezes analisando friamente meus trabalhos e me perguntando até onde eles são bons, onde poderia melhorá-los. Tenho formação prática. Trabalhei em escritórios de design, agências de publicidade e em um grande portal da internet. E isso ainda não me vale o prestígio de nada...

E já vi alguns amigos deixando suas profissões por diversos motivos. Não quero isso pra mim. Gostaria muito de continuar a fazer o que faço. Talvez em um lugar melhor, quem sabe um dia. Mas hoje voltei a pensar se não seria melhor buscar a estabilidade de um outro cargo, fazendo algo completamente diferente da criação. Eu estudaria e voltaria a trabalhar na área. Mas e essa janela de tempo afastado da área? A faculdade seria justificativa suficiente para ela?

Acredito que não. Já é tão difícil saber do que se gosta de fazer e ser forçado a abrir mão disso “só” por uma tranqüilidade financeira não me parece uma boa idéia.

Enquanto isso...

Este site está em uma segunda fase de adaptação. Falta pouco para que o novo lay-out esteja funcionando. Mas sei que mesmo depois disso, vou ter que ajustar muitas coisas até conseguir deixá-lo do jeito que imaginei...

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