Uma das piores coisas que eu sinto quando termino meus trabalhos é a falta de certeza se o resultado obtido é mesmo adequado às necessidades do cliente. Mesmo quando o cliente aprova o trabalho e, em alguns casos, elogia a qualidade dele. Já devo ter escrito sobre isso em algum lugar neste blog, de maneira diferente, mas com a mesma sensação. Geralmente, designers lutam tanto por suas idéias e convicções que parecem certos do que pensam, seguros sobre seus atos e decisões.
Sempre imaginei que isto deveria ser resultado de uma base concreta, de uma formação catedrática, de um ótimo curso. Mas quando vejo alguns trabalhos premiados e elogiados e, nestes quase 6 anos trabalhando na área gráfica/digital, cansei de ver muita coisa repetida, sem originalidade, ou simplesmente igual. Começo, por exemplo, apontando vários sites de portfolio de trabalhos de profissionais da área. Muitos são iguais em construção, acabamento, efeitos, tipografia, esquema de cores, etc.
Mas, como muitos devem ter passado pela faculdade, alguns cursado pós-graduação, penso se estou agindo errado, pensando errado, criando errado. Esta semana me deparei com o exemplo de David Carson, um designer autodidata que se destacou experimentando com tipografia na revista Ray Gun, que concedeu uma entrevista ao site Netdiver dizendo que, entre outras coisas, também não tinha tanta certeza de que estava fazendo a coisa certa.
Não lembro agora mas acho que meu primeiro diretor, primeiro empregador da área de design, também não possuía formação. Talvez seja por isso que conquistei uma vaga lá. Quem se arrisca nesta área sem ter estudado parece ter um pouquinho mais de valor! (^_^) Que bobagem... Só sei que, apesar de todas as dúvidas que ainda surgirão em mim, não estarei amarrado a nenhuma regra imposta pelo conhecimento acadêmico. E isso é bom, arriscar e pensar diferente é sempre bom.
O Pato Fu gravou no CD “Toda cura para todo mal” uma música com o título “Estudar pra quê?” que fala que quem tem computador tem acesso a tanta informação, a toda hora, de tantos lugares, que ele não precisa de mais nada, que fica bom em quase tudo e nem precisa de estudo. Será?
Hoje de manhã, li no serviço em uma revista de 2006 um artigo que dizia que o autodidatismo é válido mas nada melhor do que uma boa formação acadêmica para criar uma carreira sólida. O autor também falava que cansou de ver gente boa mesmo sendo cortado sumariamente de processos seletivos por falta desta ou daquela qualificação. E exemplificou ainda alguns tipos profissionais que são identificados pelas empresas como inaptos, após análise curricular.
Não preciso dizer que entrei em parafuso. Não tenho formação acadêmica, já fui eliminado de uma boa vaga em uma grande empresa por causa disso, e quero estudar. Mas não posso agora bancar um curso de formação superior e só por um milagre passaria na Fuvest... Fiquei pensando no meu currículo. Acredito que meu portfolio possui bons trabalhos mas a falta de um diploma me preocupa muito. Já me peguei várias vezes analisando friamente meus trabalhos e me perguntando até onde eles são bons, onde poderia melhorá-los. Tenho formação prática. Trabalhei em escritórios de design, agências de publicidade e em um grande portal da internet. E isso ainda não me vale o prestígio de nada...
E já vi alguns amigos deixando suas profissões por diversos motivos. Não quero isso pra mim. Gostaria muito de continuar a fazer o que faço. Talvez em um lugar melhor, quem sabe um dia. Mas hoje voltei a pensar se não seria melhor buscar a estabilidade de um outro cargo, fazendo algo completamente diferente da criação. Eu estudaria e voltaria a trabalhar na área. Mas e essa janela de tempo afastado da área? A faculdade seria justificativa suficiente para ela?
Acredito que não. Já é tão difícil saber do que se gosta de fazer e ser forçado a abrir mão disso “só” por uma tranqüilidade financeira não me parece uma boa idéia.
Este site está em uma segunda fase de adaptação. Falta pouco para que o novo lay-out esteja funcionando. Mas sei que mesmo depois disso, vou ter que ajustar muitas coisas até conseguir deixá-lo do jeito que imaginei...
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