Sempre me perguntam como é que eu estou. Geralmente são pessoas que estão meio longe de mim já há algum tempo. Tento reconfortá-las dizendo que estou bem. Estou trabalhando perto de minha casa, equilibrando o salário e as despesas, sem problemas de saúde, com algumas ambições saudáveis e pensando em entrar em uma academia de vez. Não que eu precise…
Já estive nesta situação antes mas não me sentia confortável com ela. Menosprezava algumas coisas que agora dou um outro valor. Sinto agora que consigo aproveitar melhor situações, objetos, emoções, problemas e desafios. Vejo com mais clareza algumas coisas. Tenho mais qualidade de vida.
Parece que estou me gabando demais pra alguém que não tem tudo. Existem pessoas que possuem mais na vida: mais dinheiro, mais posses, mais conhecimento, mais realizações, mais independência, mais qualquer outra coisa. É claro que eu as invejo mas estou feliz aonde e como estou/sou. Pela primeira vez depois de muito tempo tenho a certeza de que sou dono do meu nariz. Isso é tão bom! (^_^)
Perigo da inflação, desvarios de governos vizinhos ao nosso país, crise estrangeira, corrupção interna, celebridades vazias, revoluções inúteis, crimes estúpidos, atos desumanos, etc. Enfim tudo é noticiado à exaustão e a nossa civilidade é desafiada. Até o mais confiante, tranqüilo, esperançoso indivíduo desanima.
Até que alguém transforma todo este lamaçal em combustível pra criar algo novo, bom, responsável, funcional e evolutivo. Pena que estas ações sejam menos divulgadas e amparadas. Duvida? Acesse qualquer grande portal, nacional ou estrangeiro, e procure alguma nota, por menor que seja, que reporte ações, projetos, invenções ou novidades deste gênero evolutivo e benéfico. Eu acabei de tentar e não achei…
Uma das piores coisas que eu sinto quando termino meus trabalhos é a falta de certeza se o resultado obtido é mesmo adequado às necessidades do cliente. Mesmo quando o cliente aprova o trabalho e, em alguns casos, elogia a qualidade dele. Já devo ter escrito sobre isso em algum lugar neste blog, de maneira diferente, mas com a mesma sensação. Geralmente, designers lutam tanto por suas idéias e convicções que parecem certos do que pensam, seguros sobre seus atos e decisões.
Sempre imaginei que isto deveria ser resultado de uma base concreta, de uma formação catedrática, de um ótimo curso. Mas quando vejo alguns trabalhos premiados e elogiados e, nestes quase 6 anos trabalhando na área gráfica/digital, cansei de ver muita coisa repetida, sem originalidade, ou simplesmente igual. Começo, por exemplo, apontando vários sites de portfolio de trabalhos de profissionais da área. Muitos são iguais em construção, acabamento, efeitos, tipografia, esquema de cores, etc.
Mas, como muitos devem ter passado pela faculdade, alguns cursado pós-graduação, penso se estou agindo errado, pensando errado, criando errado. Esta semana me deparei com o exemplo de David Carson, um designer autodidata que se destacou experimentando com tipografia na revista Ray Gun, que concedeu uma entrevista ao site Netdiver dizendo que, entre outras coisas, também não tinha tanta certeza de que estava fazendo a coisa certa.
Não lembro agora mas acho que meu primeiro diretor, primeiro empregador da área de design, também não possuía formação. Talvez seja por isso que conquistei uma vaga lá. Quem se arrisca nesta área sem ter estudado parece ter um pouquinho mais de valor! (^_^) Que bobagem... Só sei que, apesar de todas as dúvidas que ainda surgirão em mim, não estarei amarrado a nenhuma regra imposta pelo conhecimento acadêmico. E isso é bom, arriscar e pensar diferente é sempre bom.
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