Depois de um longo tempo sem escrever, tentarei justificar um pouquinho essa minha ausência. Tantas coisas aconteceram mas não tive vontade de compartilhar nada até agora…
Depois de tanto tempo dedicado à internet, seja no trabalho ou por diversão, os códigos e as normas da rede me cansaram um pouco. Mas o que mais pesou foi a sensação de estagnação que estava sentindo. Estava trabalhando em uma empresa onde eu não possuía liberdade de decisões embora não recebesse ordens de ninguém. Também era cobrado indireta e constantemente para entregar um material de qualidade que sempre era desconfigurado e desmanchado de sua essência. Se você está confuso lendo estas palavras imagine como me sentia enquanto trabalhava naquela empresa.
Então resolvi continuar trabalhando e imaginei que conseguiria procurar outro emprego. Não conseguia. A minha desmotivação era tão grande que comecei a me conformar com ela. Mas sempre tentei ser o mais profissional possível e acho que nunca deixei que a qualidade de meu trabalho caísse.
Até que um convite inesperado surgiu: uma vaga de diretor de arte estava aberta em uma das maiores agências de publicidade da região. É onde trabalho agora e minha sensação de estagnação foi embora. Estou me sentindo “desafiado” novamente… de um jeito saudável, é claro!
Quando eu era adolescente sempre admirei meus colegas de faculdades que conseguiam conciliar seus estudos e o pouco tempo que tinham por causa do emprego. Eu que tinha muito tempo de sobra sempre acabava correndo contra o tempo para fazer os trabalhos da faculdade. Hoje estudo e trabalho assim como meus antigos colegas. E entendi que eles se tornaram mestres no malabarismo da divisão do tempo que sobra na correria diária e que acaba ceifando boas horas de sono e de descanso.
Os professores da faculdade têm exigido uma série de trabalhos, é óbvio! E, apesar da correria, até que estou gostando bastante deles. Eles acabarão integrando com destaque meu portfolio! Confira alguns abaixo:
Ah, a internet. Essa rede que abriga tanta informação e torna acessível a qualquer os mais misteriosos conceitos acadêmicos. Esse universo mágico que aparece dentro da tela do monitor… E mesmo depois de tanto tempo disponível a todos que possuem acesso a ela, ainda existem empresas que tentam lucrar com ela da maneira mais porca: vendendo cursos “profissionalizantes” para leigos. Eu já escrevi sobre isso antes e estou voltando ao assunto de novo. Enquanto existirem empresas vendendo este tipo de curso de webdesign, sem qualquer preocupação de ensinar o mínimo de noções de arte e design, a falta de respeito pela profissão permanecerá. Diz lá no Wikipédia sobre o que é webdesign:
O web design é uma extensão da prática do design, onde o foco do projeto é a criação de web sites e documentos disponíveis no ambiente da web.
O web design tende à multidisciplinaridade, uma vez que a construção de páginas web requer subsídios de diversas áreas técnicas, além do design propriamente dito. Áreas como a arquitetura da informação, programação, usabilidade, acessibilidade entre outros.
A preocupação fundamental do web designer é agregar os conceitos de usabilidade com o planejamento da interface, garantindo que o usuário final atinja seus objetivos de forma agradável e intuitiva.
Muitos destes cursos deficitários em design são focados no ensino do domínio de determinados softwares e quase nada da vivência real do profissional. Assim dá até pra entender que não exista ainda regulamentação oficial da profissão de webdesigner no Brasil. Muitas outras carreiras relacionadas à internet também estão na mesma situação “clandestina” perante às leis brasileiras. A empresa onde trabalho registra todos seus profissionais, programadores e webdesigners, como assistentes de manutenção de informática.
Não existe diferença entre o que eu faço e meu colega técnico em informática, um criando sites e outro consertando computadores e montando redes. Não quero dizer que uma atividade possui menor importância que a outra. São ramos de atividade totalmente diferentes ainda vistas de um mesmo modo pelo governo…
Foto: http://www.flickr.com/photos/rbos/1470224762/, do Ruben Bos
Eu lembro muito bem quando chegou o último dia do colegial. Estudei em uma escola estadual, curso técnico em período integral, sem muito tempo para cursinhos e sem muita perspectiva de carreira na área cursada por pura falta de prática, isso não se ensina nas escolas. Todos meus colegas da classe tinham planos diferentes. Muitos tentaram enfrentar o vestibular com a cara e coragem. Nem sei se passaram. Outros seguiram fazendo não sei bem o quê. Os colegas mais próximos juraram manter contato mas cada um seguiu por um caminho diferente. Podem pensar que sou uma pessoa fria mas nunca tentei localizá-los através do Orkut, coisa que não uso faz tempo. E fui fazer cursinho extensivo preparatório para suprir o 2º. Grau um pouco pobre em algumas matérias…
O que quero dizer com toda esta introdução é que todo ano jovens são confrontados com aquela pergunta: o que quero ser? As escolas tentam aproximar profissionais de diversas áreas dos alunos e suprir suas dúvidas e inseguranças mas, para muitos, acredito que ainda seja difícil tomar uma decisão tão importante. Comigo foi assim. Só sabia que não queria trabalhar em frente a um computador. Tanto que prestei vestibular para o curso de Arquitetura e Urbanismo. E que arquiteto faz qualquer coisa hoje sem uso da computadores? Que pessoa hoje trabalha sem usar computador? Exceções à parte, o computador ajuda muito qualquer profissional. A falta de maturidade e conhecimento das coisas da vida atrapalha a decisão de muitos jovens.
Este ano, enfrento o vestibular mais seguro: já trabalho na área do curso que quero estudar. E o computador? É o principal veículo do meu trabalho hoje. (^_^) Me desejem sorte!
Uma das piores coisas que eu sinto quando termino meus trabalhos é a falta de certeza se o resultado obtido é mesmo adequado às necessidades do cliente. Mesmo quando o cliente aprova o trabalho e, em alguns casos, elogia a qualidade dele. Já devo ter escrito sobre isso em algum lugar neste blog, de maneira diferente, mas com a mesma sensação. Geralmente, designers lutam tanto por suas idéias e convicções que parecem certos do que pensam, seguros sobre seus atos e decisões.
Sempre imaginei que isto deveria ser resultado de uma base concreta, de uma formação catedrática, de um ótimo curso. Mas quando vejo alguns trabalhos premiados e elogiados e, nestes quase 6 anos trabalhando na área gráfica/digital, cansei de ver muita coisa repetida, sem originalidade, ou simplesmente igual. Começo, por exemplo, apontando vários sites de portfolio de trabalhos de profissionais da área. Muitos são iguais em construção, acabamento, efeitos, tipografia, esquema de cores, etc.
Mas, como muitos devem ter passado pela faculdade, alguns cursado pós-graduação, penso se estou agindo errado, pensando errado, criando errado. Esta semana me deparei com o exemplo de David Carson, um designer autodidata que se destacou experimentando com tipografia na revista Ray Gun, que concedeu uma entrevista ao site Netdiver dizendo que, entre outras coisas, também não tinha tanta certeza de que estava fazendo a coisa certa.
Não lembro agora mas acho que meu primeiro diretor, primeiro empregador da área de design, também não possuía formação. Talvez seja por isso que conquistei uma vaga lá. Quem se arrisca nesta área sem ter estudado parece ter um pouquinho mais de valor! (^_^) Que bobagem... Só sei que, apesar de todas as dúvidas que ainda surgirão em mim, não estarei amarrado a nenhuma regra imposta pelo conhecimento acadêmico. E isso é bom, arriscar e pensar diferente é sempre bom.
O Pato Fu gravou no CD “Toda cura para todo mal” uma música com o título “Estudar pra quê?” que fala que quem tem computador tem acesso a tanta informação, a toda hora, de tantos lugares, que ele não precisa de mais nada, que fica bom em quase tudo e nem precisa de estudo. Será?
Hoje de manhã, li no serviço em uma revista de 2006 um artigo que dizia que o autodidatismo é válido mas nada melhor do que uma boa formação acadêmica para criar uma carreira sólida. O autor também falava que cansou de ver gente boa mesmo sendo cortado sumariamente de processos seletivos por falta desta ou daquela qualificação. E exemplificou ainda alguns tipos profissionais que são identificados pelas empresas como inaptos, após análise curricular.
Não preciso dizer que entrei em parafuso. Não tenho formação acadêmica, já fui eliminado de uma boa vaga em uma grande empresa por causa disso, e quero estudar. Mas não posso agora bancar um curso de formação superior e só por um milagre passaria na Fuvest... Fiquei pensando no meu currículo. Acredito que meu portfolio possui bons trabalhos mas a falta de um diploma me preocupa muito. Já me peguei várias vezes analisando friamente meus trabalhos e me perguntando até onde eles são bons, onde poderia melhorá-los. Tenho formação prática. Trabalhei em escritórios de design, agências de publicidade e em um grande portal da internet. E isso ainda não me vale o prestígio de nada...
E já vi alguns amigos deixando suas profissões por diversos motivos. Não quero isso pra mim. Gostaria muito de continuar a fazer o que faço. Talvez em um lugar melhor, quem sabe um dia. Mas hoje voltei a pensar se não seria melhor buscar a estabilidade de um outro cargo, fazendo algo completamente diferente da criação. Eu estudaria e voltaria a trabalhar na área. Mas e essa janela de tempo afastado da área? A faculdade seria justificativa suficiente para ela?
Acredito que não. Já é tão difícil saber do que se gosta de fazer e ser forçado a abrir mão disso “só” por uma tranqüilidade financeira não me parece uma boa idéia.
Este site está em uma segunda fase de adaptação. Falta pouco para que o novo lay-out esteja funcionando. Mas sei que mesmo depois disso, vou ter que ajustar muitas coisas até conseguir deixá-lo do jeito que imaginei...
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