Arquivo: maio 2008

Eu lembro muito bem quando chegou o último dia do colegial. Estudei em uma escola estadual, curso técnico em período integral, sem muito tempo para cursinhos e sem muita perspectiva de carreira na área cursada por pura falta de prática, isso não se ensina nas escolas. Todos meus colegas da classe tinham planos diferentes. Muitos tentaram enfrentar o vestibular com a cara e coragem. Nem sei se passaram. Outros seguiram fazendo não sei bem o quê. Os colegas mais próximos juraram manter contato mas cada um seguiu por um caminho diferente. Podem pensar que sou uma pessoa fria mas nunca tentei localizá-los através do Orkut, coisa que não uso faz tempo. E fui fazer cursinho extensivo preparatório para suprir o 2º. Grau um pouco pobre em algumas matérias…

O que quero dizer com toda esta introdução é que todo ano jovens são confrontados com aquela pergunta: o que quero ser? As escolas tentam aproximar profissionais de diversas áreas dos alunos e suprir suas dúvidas e inseguranças mas, para muitos, acredito que ainda seja difícil tomar uma decisão tão importante. Comigo foi assim. Só sabia que não queria trabalhar em frente a um computador. Tanto que prestei vestibular para o curso de Arquitetura e Urbanismo. E que arquiteto faz qualquer coisa hoje sem uso da computadores? Que pessoa hoje trabalha sem usar computador? Exceções à parte, o computador ajuda muito qualquer profissional. A falta de maturidade e conhecimento das coisas da vida atrapalha a decisão de muitos jovens.

Este ano, enfrento o vestibular mais seguro: já trabalho na área do curso que quero estudar. E o computador? É o principal veículo do meu trabalho hoje. (^_^) Me desejem sorte!

livros.jpg No fim do ano passado, afirmei que nunca tinha lido tanto em tão pouco tempo e que achei que a tendência continuaria. Não desse jeito que aconteceu mas fico feliz em dizer que ando lendo demais! Em poucos meses, li mais livros do que li nos últimos anos! “O Clube dos Anjos”, “Persépolis”, “Nunca subestime uma mulherzinha” e “O Insaciável Homem-Aranha”. O “Curso de Japonês em Quadrinhos” figura aqui por outro motivo.

“O Clube dos Anjos” (de Luis Fernando Veríssimo, Editora Objetiva, 132 páginas) pertence a série Plenos Pecados, que também tem “A Casa dos Budas Ditosos” em sua coleção, e fala da Gula. Ele traz a história de um grupo de dez bon-vivants que fizeram um pacto na adolescência de se encontrarem uma vez por mês para degustarem um jantar especial e sofisticado. Tudo para “celebrarem a vida” da melhor maneira. Esses jantares sempre eram regados por alguma discórdia, amenizada pela degustação dos pratos e enfastiamento do grupo. Até que um dia, um deles, Daniel, o narrador da história, conhece um cozinheiro fantástico que promete surpreender a todos com seus pratos perfeitos.

Mas logo no primeiro jantar preparado por este novo cozinheiro, um integrante morre após saborear seu prato predileto. E assim, um a um, os integrantes do grupo vão morrendo após degustarem seus pratos preferidos. E o pior é que, a certa altura da narrativa, mesmo sabendo que vão morrer, comem o que gostam. E isso é somente parte dessa história em que o prazer da gula é o sentido da vida dos personagens.

“Persépolis” (de Marjane Satrapi, Companhia das Letras, 352 páginas) conta a história da própria autora que viveu a transição de governos no Irã durante sua infância e foi obrigada a seguir as rígidas regras xiitas. Filha de uma família moderna e politizada, onde a conversa e o diálogo sempre foram cultivados e estimulados, a imposição das leis do novo governo mexeu com a rotina de Marjane e moldou seu pensamento. Na escola, ousou questionar algumas das novas normas e foi severamente punida. Na rua, não podia se vestir do jeito que gostava. Pra comprar as novidades ocidentais, discos de música por exemplo, era preciso desafiar a lei e escutar em lugares onde o som não poderia ser ouvido por ninguém de fora.

Até as festas de confraternização e comemoração poderiam resultar em prisão. Marjane viveu o final de sua infância e boa parte da adolescência presenciando situações horríveis até que foi para a Alemanha Áustria, em um exílio voluntário, proposto por seus pais. Persépolis é um livro riquíssimo em detalhes, narrado como uma história em quadrinhos, com situações impressionantes e emocionantes. Para ler e não parar!

“O Insaciável Homem-Aranha” (de Pedro Juan Gutiérrez, Companhia das Letras, 208 páginas) conta a história de um artista frustrado que mora em Havana, Cuba, e leva um vida sem perspectivas. Ele convive com um extremo desejo de luxúria abafado pelo seu entorno pobre e sem graça e sua idade considerada “avançada demais”. O livro é tão denso, tão depressivo, que ainda não acabei de ler… Indicado pra quem quer encontrar alguém com alguma neura maior que a sua própria…

“Nunca subestime uma mulherzinha” (de Fernanda Takai, Editora Panda Books, 136 páginas) é a compilação de algumas crônicas e contos publicados nos jornais O Estado de Minas e Correio Braziliense. A cantora do Pato Fu escreve com sua visão prática e bem-humorada histórias que poderiam fazer parte da vida de qualquer um. O livro é dividido em capítulos chamados “Coisas que aconteceram” ou “Coisas que podem ter acontecido” por exemplo. Bem legal e indispensável aos fâs da banda!

No final de 2006, a Editora Conrad lançou no Brasil o curso de “Japonês em Quadrinhos” e eu tentei, juro que tentei, aprender esta língua tão difícil com o livro. Apesar de muito didático, ilustrado e direto, o livro possui um grande obstáculo a qualquer um que se atreva a seguí-lo: logo nos primeiro capítulos, o autor Marc Barnabé te “abandona” na introdução dos kanjis, aqueles símbolos orientais que apresentam uma idéia completa. Mas fora este “detalhe”, o livro é muito bom pra quem tem acesso à livros e textos japoneses menos elaborados. Tanto que a Conrad lançou a segunda parte deste curso: Japonês em Quadrinhos 2 - Curso Pré-Intermediário. Quem sabe um dia eu retomo este curso… (-_-) Agora, assim que tiver tempo, vou atrás deste livro aqui, “achado” neste blog aqui!

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